A Companhia Editora de Pernambuco lança hoje, às 19h, na Feira do Nordestina do Livro, no Centro de Convenções de Pernambuco, o livro "Viagem ao Brasil (1644-1654)", organizado pelo professor da UFRPE Bruno Romero Ferreira Miranda em parceria com os pesquisadores Benjamin Nicolaas Teensma (emérito da Universiteit Leiden, Países Baixos) e Lucia Furquim Werneck Xavier (mestra em História pela Erasmus Universiteit, Roterdã).
Muitas são as publicações sobre o Brasil no tempo da dominação holandesa, tendo essas obras um ponto em comum: normalmente os autores eram pessoas letradas e bem situadas socialmente. Viagem ao Brasil (1644-1654), de Peter Hansen, possui um grande diferencial: foi escrito por um soldado dinamarquês que passou dez anos em Pernambuco e conseguiu sair vivo de confrontos como as batalhas de Tabocas (1645), Casa Forte (1645) e Guararapes (1648-1649).
Com o subtítulo O diário de um soldado dinamarquês a serviço da Companhia das Índias Ocidentais – organização criada com o objetivo de comandar a colonização flamenga nas Américas, marcando forte presença no Nordeste brasileiro –, o manuscrito que gerou o livro também escapou das muitas guerras travadas na Europa ao longo dos séculos, pertencendo hoje ao Arquivo Nacional de Schleswig-Holstein, na Alemanha.
O livro traz um dos raros relatos de gente de baixa patente recrutada pela Companhia das Índias Ocidentais para servir em seu exército estacionado no Brasil. Seu autor, Peter Hansen (1624-1672), um jovem de origem camponesa proveniente de Hajstrup, lugarejo ao sul da Jutlândia, Dinamarca, descreveu em um fascinante diário os estertores da presença neerlandesa em Pernambuco, Paraíba e no Rio Grande do Norte desde sua chegada, no Recife, em 1644, até sua conturbada viagem de retorno aos Países Baixos, em 1654. Sobrevivente às batalhas de Tabocas (1645), Casa Forte (1645) e Guararapes (1648), Peter Hansen produziu um texto vivo em episódios de um cotidiano de extrema violência e de misérias que põe de lado qualquer glamorização do “Brasil holandês”. Fonte preciosa sobre o cotidiano no século XVII, o diário serve não apenas como um documento para o estudo do domínio neerlandês no Brasil, mas também é de interesse para quem estuda a história social e das mentalidades no início da era moderna.