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Indígenas e pesquisadores debatem “o bem-viver” em Seminário Integrado Internacional do PPGECI

Por Tarisson Nawa
tarisson-ccs@ufrpe.br   

Durante dois dias (25 e 26/06), o “Bem Viver” foi temática no Seminário Integrado Internacional, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Culturas e Identidades (PPGECI). O evento teve suas atividades no Anfiteatro do Centro de Ensino de Graduação (Cegoe), no campus Dois Irmãos/Recife da UFRPE.

A partir dos debates, indígenas e pesquisadores abordaram as perspectivas e práticas que compreendem relações horizontais e harmônicas entre natureza e seres vivos -  materiais e espirituais. As atividades foram compostas por debates e palestras, além de apresentações culturais e exibição de videodocumentário.

No primeiro dia de evento (25/06), os participantes contaram com a defesa de dissertação de mestrado sobre parteiras Pankararu. A estudante do PPGECI, Lilian de Barros, falou sobre o ensino da aprendiz de parteira como tradição e identidade da parteira indígena Pankararu. Além disso, houve apresentação cultural de Maya Ferreira, do grupo Obebé Omin, seguida do videodocumentário “Deus te dê boa sorte”, que conta a história de parteiras indígenas Pankararu. A finalização do primeiro dia de atividade aconteceu com a exposição do professor Alexandre Simão (UFPE), sobre a relação do bem-viver e a experiência de vida amorosa com a terra. 

O segundo dia contou com participação de representantes e lideranças do povo Xukuru do Ororubá (Pesqueira - PE). Iran Xukuru e Socorro Xukuru comporam a mesa, juntamente com o professor Edson Silva (CAp-CE/UFPE) e Eliana Yunes (PUC). 

Iran Xukuru, mestre em produção agrícola (UFRPE), falou da contribuição do ser Xukuru do Ororubá para a continuidade do modo de vida que respeite a religiosidade, a natureza e a diversidade de produção. "A agricultura dos encantados, dos Xukuru, traz a diversidade, a diversidade de plantas, contrário ao monocultura e, nesse sentido, contra as propostas desenvolvimentistas do capital econômico”. Segundo o indígena, enquanto o agronegócio tenta padronizar a maneira de comer, de plantar, seu povo traz a diversidade do viver, pautado numa “agricultura que valoriza a vida na sua diversidade”.  

Durante o evento, dona Socorro Xukuru organizou uma representação do peji, um dos elementos sagrados dos Xukuru do Ororubá. Com materiais trazidos do território do povo nativo, cada elemento que compõe a representação tem significados. “A água representa o sangue; as pedras, os ossos; e as matas [plantas], os cabelos da terra. É o corpo humano”, explica a indígena. Os indígenas reforçaram a necessidade do respeito à natureza biológica, “porque é ela quem mantém viva a natureza sagrada”. 

 

 

Na ocasião, estiveram presentes o professor Edson Silva e a professora Eliana Yunes. O professor Edson falou da importância do debate da temática indígena na universidade. Segundo ele, o contexto da universidade precisa reconhecer a contribuição dos povos indígenas na construção dos conhecimentos e das sociodiversidades. "Assim como no Nordeste os indígenas retomaram e continuam retomando seus territórios, agora, eles estão retornando a universidade, em um processo de ocupação desse espaço". Yunes fez coro ao afirmar que "é preciso de uma via dupla, onde a academia ganhe e os indígenas também’, destacou.

A finalização das atividades do seminário contou com duas apresentações, uma do Nóis de Nós: Abayomi e resistência de mulheres negras, mediada por Cristina Nascimento; e da Banda CERVAC Força Especial. O último momento de debate teve como tema “O bem-viver: as vidas humanas e suas trajetórias”, com os professores Constanti Xypas (França - PUC), Paulo Henrique Martins (Brasil – UFPE) e Claudilene Silva (UNILAB - Campus dos Malês). 

A Vivência em Danças Negras: Encantar os corpos com o Xirê, foram organizadas por:
- Jamila Marques -  Mestranda em Educação, Culturas PPGECI/UFRPE e Identidades e Artista das Danças Negras;
- Dandara Marques  - Mestranda em Ciências Ambientais UFRPE/UAG, Especialista em Oceanografia, Gestora Ambiental, Angoleira e  Artista das Danças Negras ;

Keise  Barbosa - Mestranda em Educação, Culturas e Identidades PPGECI/UFRPE e Contadora de Histórias.

Confira alguns dos espaços e momentos do evento em fotos abaixo:

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