Na primeira quinzena de agosto, os alunos ingressantes dos cursos de engenharia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) na Unidade Acadêmica do Cabo de Santo Agostinho (UACSA) participaram da "Pesquisa de alfabetização energética". Dirigida pelo professor Felipe Orlando Centeno González, a atividade consiste numa espécie de "ENEM da energia" e consiste num questionário de 100 perguntas de seleção múltipla, abordando conhecimentos, atitudes e comportamentos relacionados com a energia.
“Já temos algo de experiência com este projeto visto que tivemos a oportunidade de aplicar o mesmo em escolas na Colômbia e atualmente já fizemos a adaptação às condições do Brasil, ele se encontra em constante evolução e cada dia vai ficando melhor e vamos adicionando novas atividades”, ressaltou Felipe González.
O docente destaca que o projeto conta com o apoio da Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE), por meio do programa de Bolsas de Incentivo Acadêmico (BIA), do qual os alunos Allyson Pedro Alves Soares de Lima e Teofanes Augusto Da Silva Alexandre são bolsistas.
De acordo com o professor, através desse instrumento é possível identificar com precisão quais são os assuntos nos quais os estudantes precisam reforço e montar um plano de ação mais efetivo.
“Atualmente temos capacidade de gerar um relatório individual e um grupal após a aplicação do questionário. Agora por exemplo, vamos trabalhar em campanhas publicitárias dentro do campus focando justamente naquelas questões que eles têm mais necessidade, também está em planos a criação de um ciclo de palestras ‘escola da energia’ onde teremos alem de conceitos e notícias de atualidade, atividades interativas mostrando por exemplo o efeito que tem nosso acionar sobre diversos aparelhos elétricos e como economizar energia. Também temos a intenção de seguir acompanhando a evolução destes estudantes”, disse o professor Felipe Gonzáles.
Na pesquisa, foi observado, por exemplo, que os entrevistados não reconhecem a lenha como uma fonte de energia renovável, sendo que esta é uma forma da biomassa. O grupo pesquisado pensa também que o dinheiro pago na fatura de energia é dividido somente entre a distribuidora de energia e o Estado (tributos).
“Eles desconhecem que existe toda uma cadeia de processos e empresas envolvidas para fazer a energia elétrica chegar até o usuário final. Acham que é mais importante fazer novas usinas de fontes renováveis do que economizar energia”, destaca Gonzáles.
Os entrevistados também afirmam no estudo que a matriz energética do Brasil é na sua maior parte usinas hidrelétrica, quando na verdade é o petróleo. Os pesquisadores identificaram uma tendência a superpor a matriz elétrica que é relativamente limpa à matriz energética geral que tem ao redor de 50% vindo de fontes fósseis (petróleo, carvão mineral e gás natural). Além disso, os pesquisados pensam que as fontes renováveis são 100% inofensivas para saúde humana e o meio ambiente, o que não é exatamente verdade.
“Estes alunos entrevistados são um reflexo da comunidade, aliás, eles são um seleto grupo que conseguiram ser aprovados para ingressar na universidade pública federal. Isso dá uma ideia de como estamos como sociedade. A conscientização dos jovens sobre essas questões promete e garante a existência de suficiente energia e consumidores responsáveis no futuro”, enfatizou o docente.
Os pesquisadores estão trabalhando para levar o projeto a escolas (ensino médio e fundamental) e outras universidades. Já estão sendo negociadas parcerias com secretarias de educação de governos municipais e possíveis empresas patrocinadoras.
Contato: felipe.centeno@ufrpe.br