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Preocupada com estudantes, UFRPE discute evasão e retenção na universidade

Por Tarisson Nawa
tarisson-ccs@ufrpe.br 

O Seminário sobre estratégias de combate à evasão e à retenção nos cursos de graduação da UFRPE mobilizou gestores das três unidades e sede em discussões no CEGOE. Os debates duraram dois dias (23 e 24/05) e pretendem definir políticas a curto prazo na universidade para diminuição dos índices de evasão e retenção. É a primeira vez que a UFRPE promove a discussão em caráter ampliado.  

No primeiro dia de discussão, os trabalhos foram iniciados com a fala da reitora, professora Maria José de Sena. A gestora da instituição destaca o momento histórico para formação de um “grupo seleto” no debate de um problema que perpassa vários fatores e está presente em todas as Instituições de Ensino Superior. A professora faz apelo para que todos os gestores presentes se doem no combate à evasão e retenção:  “cada um e cada uma tem que se envolver: a comunidade tem que se envolver, tem que motivar os alunos, tem que propor ações para os estudantes", finaliza.

 

Na continuidade do evento, um dos Mesa composta por gestores da UFRPEprincipais desafios levantados foi “como lidar com a evasão e retenção na UFRPE diante dos cortes para a Educação?”. Os representantes das unidades de Garanhuns, Serra Talhada, Cabo de Santo Agostinho e Sede foram apresentados a uma série de dados, relatórios e planilhas institucionais e extra-institucionais sobre trajetórias estudantis, perfil socioeconômico e orçamento universitário. A proposta foi para que, a partir das informações, os gestores dialoguem e sugiram ações emergenciais a curto prazo para intervenções em suas Unidades. Em novembro, outra edição do seminário discutirá os resultados dos planos executados.

Diretores acadêmicos, coordenadores de cursos de graduação, membros das comissões de controle da evasão e retenção das Unidades Acadêmicas e dos Departamentos acadêmicos da Sede e Diretório Central dos Estudantes fizeram parte da discussão ampliada do primeiro dia. Após esse momento, Grupos de Trabalho foram formados  para elaboração de Planos de Ação a serem implementados nos bacharelados e licenciaturas da UFRPE.

 

Gestor explana em auditório

 

Evasão e retenção: um “problema social”, defende pró-reitora

Pró-reitora em pé Todos os anos, o Tribunal de Contas da União (TCU) faz relatório apresentando resultados das Instituições de Ensino Superior para a sociedade. Um dos indicadores da qualidade das instituições é a Taxa de Sucesso na Graduação (TSG), que demonstra os problemas ou dificuldades, em números, no processo de formação nas Instituições de Ensino Superior públicas (IES). A TSG ainda é usado para distribuição do recurso orçamentário ー isto é, quanto maior a TSG, maior será o orçamento para ser usado nas IES. O Seminário para combate à evasão e a retenção, além de trabalhar questões contextuais de cada unidade, também foi motivado para aumentar a Taxa de Sucesso na Graduação da UFRPE. Uma das questões dada ênfase foi a situação dos cotistas nesse índice.

Durantes os levantamentos da Pró-reitoria de Ensino de Graduação (PREG), dados do relatórios da Taxa de Sucesso de Graduação dos estudantes assistidos pelas políticas de permanência demonstrou valor superior a média geral da universidade. A pró-reitora Maria do Socorro (PREG) destaca a porcentagem superior a 60% no sucesso na formação dos alunos cotistas. “Eles entram na universidade ー podem ser que apresentem dificuldades como qualquer aluno ー, mas eles conseguem terminar os cursos”, declara a gestora. Ela ainda se diz inconformada com o discurso contra os estudantes beneficiados pela Lei de Cotas para o Ensino Superior. “Eu não compreendo porque as pessoas, com base num senso comum, defendem que os cotistas são os responsáveis pela baixa Taxa de Sucesso da Universidade (TSG) das universidades. Eu não compreendo, porque é justamente o contrário”. Ela conclui o assunto dizendo que é impossível atribuir à Lei de Cotas a responsabilidade pela queda na diplomação dos estudantes nas universidades públicas.  

 Pasta com nome do evento e pró-reitora no segundo plano

 

Dados divulgados pela Andifes (Pesquisa do Perfil Socioeconômico dos Estudantes das Universidades Federais) à Pró-reitoria de Ensino de Graduação demonstram que 70,2% dos estudantes da UFRPE recebem menos de um salário mínimo e meio. Ainda segundo o dado, dificuldade financeira é o segundo principal motivo pelo qual os estudantes desistem das universidades públicas brasileiras (evadem ou trancam os cursos). A relação das informações da pesquisa demonstra que investimentos em políticas de permanência financeiras na Universidade podem influenciar em uma maior taxa de diplomação. Nesse sentido, a professora Maria do Socorro defende a política de assistência financeira aos estudantes como uma Política de Estado. "Não é mais aceitável que ‘entrou na universidade o aluno tem de se virar’”, ressalta.

Formar bem e para aProfessor fala para público de gestores sociedade são as principais metas das IES públicas. A UFRPE assume seus compromissos, entretanto, para a PREG, os dados nacionais apontam que evasão e retenção são problemas sociais inibidores da função das Instituições Públicas de Ensino Superior. “Enfrentam-se problemas sociais com políticas públicas. Precisamos de políticas públicas que venham fortalecer as IES a cumprir seu papel social”, finaliza a gestora ao defender que Educação não é gasto; é investimento.

Por outro lado, para além dos problemas sociais e dificuldades externas, há desafios específicos que podem e devem ser enfrentados internamente na UFRPE, a fim de combater e minimizar a evação e a retenção dos estudantes. Foi exatamente com esse propósito que o seminário foi realizado pela PREG.

"É um desafio de toda a comunidade universitária da UFRPE. Professores, estudantes, técnico-administrativos, gestores: todos e todas precisam estar juntos na construção de ações de enfrentamento e minimização da evasão e da retenção na nossa universidade. É um compromisso que deve unir toda a nossa comunidade acadêmica", ressaltou Maria do Socorro de Lima Oliveira.